A Rosa de Ouro



A Rosa de Ouro é uma honraria que a Igreja Católica concede, em sinal de reverência, as pessoas que praticam feitos virtuosos em favor dos seres humanos. É Símbolo da Majestade de Cristo a quem os profetas se referiam como “A Flor do Campo” ou “O Lírio dos Vales”. Anualmente é abençoada pelo Papa, no quarto domingo da quaresma. O Papa Leão XIII presenteou a Princesa Isabel com a Rosa de Ouro quando ela editou a Lei Áurea.

Ao determinar a publicação da Lei, “A Redentora” foi advertida por José Bonifácio de que esta medida era contrária ao interesse de categorias influentes e poderia custar a queda da monarquia. A Princesa respondeu: - Eu pago qualquer preço para libertar estes homens!

Sua determinação em pôr fim aos sofrimentos humanos, causados pela escravidão, era tão firme que ao ser cumprimentada pelo Barão de Cotegipe, ouviu dele o vaticinio: “Vossa Alteza libertou uma raça, mas perdeu o trono”, de pronto Sua Alteza retrucou: “Mil tronos eu tivesse, mil tronos eu daria para libertar os escravos do Brasil”. De fato, um ano depois, foi extinta a monarquia no Brasil.

O presente da Igreja Católica foi enviado com a seguinte mensagem:

"Leão XIII, Papa
À muita amada em Cristo Filha Nossa, Saúde e Benção Apostólica.
As preclaras virtudes que adornam Tua pessoa e as brilhantes demonstrações de singular dedicação que Nos deste a Nós e a esta Sé Apostólica, pareceu-nos merecer sem dúvida um testemunho particular e insigne de Nosso Apreço e paternal afeto para contigo.
Para te apresentarmos porém esse testemunho, nenhuma oportunidade mais favorável podia dar-se, conforme entendemos, do que a atual. Com efeito, novo esplendor acaba de realçar ainda mais os Teus louvores por ocasião da Lei que aí foi recentemente decretada e por Tua Alteza Imperial sancionada, relativa àqueles que, achando-se nesse Império Brasileiro, sujeitos à condição servil, adquiriram em virtude da mesma lei a dignidade e os direitos de homens livres.
Assim, pois, muito amada em Cristo Filha Nossa, Nós te enviamos de mimo a Rosa de Ouro que, ao pé do altar, consagramos com a prece apostólica e os demais ritos sagrados, consoante a usança antiga de Nossos Predecessores.
Por esta razão investimos do caráter de Nosso Delegado apostólico ao amado Filho Francisco Spolverini, Nosso Prelado Doméstico e Protonotário Apostólico, que exerce as funções de Internúncio e de Enviado extraordinário Nosso e desta Santa Sé, junto ao muito amado em Cristo Filho Nosso Pedro II Imperador do Brasil, e na ausência dele junto à Tua Alteza Imperial, com o fim de levar-Te a referida Rosa e de exercer o honrosíssimo ministério de fazer-Te a tradição dela, observando as sagradas cerimônias do estilo.
Nesse mimo, porém, que Te ofertamos, é desejo Nosso que Tua Alteza Imperial não olhe para o preço do objeto e seu valor, mas atenda aos mais sagrados mistérios por ele significados. Assim é que nessa flor e no esplendor do ouro se manifesta Jesus Cristo e sua suprema Majestade. É Ele que se denomina a flor do campo e o lírio dos vales. Na fragrância da mesma flor se exibe um símbolo do bom odor de Cristo, que ao longe reascendem todos os que cuidadosamente imitam as suas virtudes.
Daí é impossível que o aspecto deste mimo não inflame cada vez mais o Teu zelo em respeitar a religião e em trilhar a vereda árdua, sim, mas esplêndida da virtude.
No entanto, implorando toda a sorte de prosperidades e venturas para Ti, e todo o Império Brasileiro, muito afetuosamente no Senhor outorgamos a Benção Apostólica a Ti, muito amada em Cristo Filha Nossa, e à Tua Imperial Família.
Dado em Roma, junto a São Pedro, sob o anel do Pescador, no dia 29 de maio do ano de 1888, IIº no Nosso Pontificado”.

Belíssimo exemplo de grandeza de caráter, virtuosidade, fraternidade que merece ser lembrado, com gratidão e reverência, nas aulas de História, sobretudo no dia dedicado à consciência negra e no dia Internacional da Mulher.

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