História do bairro Bangu


Fachada da Fábrica de Tecidos Bangu – Revista da Semana 11/11/1906


Bangu é um bairro da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, cujo nome deriva da palavra indígena “útang-û”, que significa anteparo escuro ou barreira negra, numa alusão à montanha ou à serra.

Os registros históricos sobre Bangu destacam o papel de Manuel de Barcelos Domingues, primeiro a se interessar pelas terras desmembradas da paróquia de Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande e torná-las produtivas. Foi também o fundador, em 1673, da então Fazenda Bangu, onde construiu uma capela, e também do Engenho da Serra, com a finalidade de produzir açúcar, álcool, cachaça e rapadura.

A iniciativa e o sucesso de Manuel Domingues logo despertaram interesse de outros proprietários de roças vizinhas, dentre elas Piraquara, Retiro e Viegas, além de acender o interesse dos religiosos do Carmo pela região.

Ao longo dos anos, o controle da Fazenda Bangu mudou de mãos diversas vezes, passando por João Manuel de Melo, João Freire Alemão, João Freire Tomás, Brites de Lemos, Gregório de Morais Castro, Ana Francisca de Castro Morais e Miranda, Gregório de Castro Morais e Sousa e Manuel Miguel Martins, o Barão de Itacuruçá.

Com o crescimento da indústria têxtil no Rio de Janeiro, e baseados nas abundâncias de cachoeiras e nascentes em Bangu, imigrantes portugueses ligados ao comércio de tecidos resolveram montar ali uma fábrica, cuja inauguração foi realizada em 6 de fevereiro de 1889 com o nome de Companhia Progresso Industrial do Brasil, sob a presidência de Estevão José da Silva.

Em 1891 surge o primeiro núcleo comercial, chamado de “Marco 6”, na região da Estação Guilherme da Silveira. Sobre o Marco 6, paira uma das mais curiosas citações de Roberto Assaf, no livro Bangu – Bairro Operário, estação de futebol e do samba.

Já em 1893, começa a construção da Vila Operária, onde hoje fica a Av. Cônego de Vasconcelos. Em 1901 surge o primeiro grupo escolar (Ribeiro de Andrade). Em 1903 é fundado o Grupo Carnavalesco Flor de Lira e, em 1904, um grupo de operários ingleses e brasileiros funda o The Bangu Athletic Club.

O ano de 1907 foi marcado pela fundação do Grêmio Philomático Rui Barbosa, a primeira casa voltada para a cultura e logo em seguida a Sociedade Musical Progresso do Bangu, que passaria a se chamar Cassino Bangu.

Em 1909 foi criado o Grupo Carnavalesco Prazer das Morenas e, no ano seguinte, foi inaugurada a Igreja de São Sebastião e Santa Cecília.

Em 1920 o Cinema Recreio encerra as atividades e é inaugurado o Cinema Bangu. Cinco anos mais tarde é a vez do Grêmio Literário Rui Barbosa, que substituiu o Grêmio Philomático.

A partir da década de 1920, Bangu recebe diversos empreendimentos e instituições o que impulsiona o crescimento e seu desenvolvimento.

Janeiro de 1945 é inaugurada a Igreja São Lourenço e em 1983 acontece a inauguração do Monumento dos Pracinhas, na Praça da Fé.

Decreto de 10 de maio de 1995 determina o tombamento definitivo da Fábrica Bangu.

Surge o calçadão de Bangu em 2004 e em 2007 as instalações da Fábrica Bangu torna-se o Shopping Bangu.


Fonte: FBN e Diário do Rio