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A Era da Loucura: Pão e Circo



Durante anos de construção, o cristianismo passou por muitas fases. Costumo dizer que a Igreja Católica é um abrigo de muitas crenças: franciscanos, carmelitas, carismáticos e muitas outras. Vivi o suficiente para dizer que a Igreja se reinventou para conquistar, mesmo pregando que não deve mudar mas o mundo que precisa abraçar a cruz… Na prática, não é assim que funciona, a Igreja escolheu agregar pluralismo do que perder mais “uma alma”.

Contudo, se por um lado seu “modus operandi” aparenta uma filosofia altruísta, por outro, pode nos trazer consequências avassaladora se não acontecer respeitando seus pilares de fé: Sagrada Escritura, Tradição e Magistério. O senso comum nos ensina que ao procurarmos agradar a todos, não agradamos a ninguém.

O falso se dá bem com todo mundo, o verdadeiro não” (Freeman, M).

Vale reforçar que, católico ou não, todo cristão é chamado a ser o sal no mundo. Nós somos convidados a dar o verdadeiro gosto a vida, e esse tempero é o próprio Cristo. Evidentemente, não devemos como bons cristãos deixar de acolher mas precisamos entender que o Evangelho é para aquele que deseja o seguir. A busca por Deus não é algo fácil, precisa de abdicação e coragem, como o apóstolo Paulo nos exorta: "mantenham-se firmes, cingindo-se com o cinto da verdade, vestindo a couraça da justiça. (Ef 6, 14).

Entretanto, quando não conhecemos a verdade, temos a tendência de criticá-la. Como diria Maurício Lobato “quem mal lê, mal ouve, mal fala e mal vê”. Toda história é a versão de quem conta e algumas vezes distante daquilo que aconteceu. Ou ainda, contada de modo a atender certos interesses.

Certamente quando nos rodeamos de amigos ou nem tão amigos com visões distintas, ampliamos nosso campo de visão e passamos a compreender diferentes pontos de vista. Contudo, se não colocarmos nossa razão à luz da sabedoria divina estaremos apenas diante da vã filosofia dos homens. Isso porque a verdade de um, pode não ser a verdade do outro.

E mesmo refutando as ideias concebidas pelo senhor Leonardo Boff, preciso concordar que “todo ponto de vista é a vista de um ponto”. Aliás, neste quesito a Palavra de Deus nos mostra que relativizar a verdade é uma heresia, pois a verdade divina é única. Mas essa conversa ficará para um próximo artigo.

Como sal do mundo, além de darmos sabor a vida também somos chamados a preservá-la. Então, não podemos nos fechar em nosso “mundinho”, ou pior, optar pela autossabotagem. Isso porque colocaríamos nossa sociedade em degradação.

Sintetizando, não temos a escolha de sermos preguiçosos e não buscar pela verdade. Deste modo, somos constantemente chamados a adquirir conhecimento, criar discernimento e ter sabedoria mas essa missão é árdua. Necessita de dedicação e comprometimento. Se formos negligentes, omissos ou desistentes ficaremos a mercê daqueles que detém a informação porque optamos por deixar outro alguém pensar e definir por nós em que podemos ousar acreditar.

Infelizmente, parece que perdemos completamente a capacidade de defender nossos argumentos, é mais fácil “cancelar”, “bloquear”, “deixar de seguir”… Nos tornamos uma sociedade das interações superficiais. Que acredita em tudo que se diz, que é fácil de ser enganada, manipulada... Não podemos nos permitir ser meras marionetes do sistema. Uma frase atribuída a Shakespeare diz que “sempre é tempo da peste, quando são os loucos que guiam os cegos”. E parece que justamente estamos vivendo a “Era da Loucura: Pão e Circo”.

Alguns meses atrás, me deparei com um site que se define como uma plataforma que busca combater a desinformação. Entretanto, um pouco diferente dos serviços que costumamos nos deparar, esse site específico é um caçador de informações nas redes sociais públicas. Funciona do seguinte modo, salva as informações coletadas em sua base de dados e fornece esse serviço para agentes públicos ou até mesmo empresas privadas. Uma espécie de vigilantes de mensagens e compartilhamentos de informações “públicas” com a missão de salvar a internet das chamadas “fake news”.



Serviços desse tipo crescem constante mente porque as pessoas não querem perder tempo para pensar ou pesquisar. Então, fica bem mais fácil alguém “já se dar a esse trabalho, né?” Obviamente, não. Não existe almoço grátis e ninguém faz isso porque é bonzinho.

Escolher ser “isentão” em um sociedade tão louca pode ser muito conveniente e trazer até alguma paz. Mas se fazemos isso em nossa vida pessoal, será que não estamos permitindo nossa fé também ficar morna? Lembrando que no livro de Apocalipse somos advertidos “seja quente ou seja frio. Não seja morno, senão te vomito” (Ap 3, 16).

Não estou dizendo para ninguém subir ao monte e sair gritando aos quatro cantos do Universo a ponto de perder a cabeça na guilhotina (não é uso de linguagem) mas que façamos nossa reflexão espiritual para entendermos nosso papel no mundo. Será que nesse momento, Deus precisa de um Pedro recolhido e escondido ou de um Pedro preso, perseguido, torturado e crucificado de ponta cabeça?

Repito como mencionado no artigo anterior, precisamos de cautela. Mas é necessário identificar quem queremos ser e o que desejamos alcançar nesse e no outro mundo.

Portanto, “enquanto a verdade estiver amordaçada, a mentira sequestrará o mundo” (autoria desconhecida), pois “nenhuma quantidade de evidência irá persuadir um idiota” (Mark Twain, escritor EUA). Afinal, “geralmente é inútil tentar apresentar os fatos e análises para pessoas que desfrutam de um senso de superioridade moral em razão da sua ignorância” (Sowell, T).



Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. II N.º 27

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